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Diário de Viagem

Experiência na Montanha mais alta do Sul do Brasil – Pico Paraná

Uma experiência incrível na maior montanha do Sul do Brasil - com 1877 m de altitude. O Pico Paraná é, sem dúvida, um ícone para os montanhistas paranaenses. Confesso que já fiz algumas escaladas, mas nenhuma se compara a aventura no PP. A subida causa uma mistura de sentimentos, sensações, calafrios e muita adrenalina. O lugar transmite paz e o trajeto vai proporcionando a sensação de realização e superação.

Com o objetivo traçado de “só o cume interessa” iniciamos o trajeto às 6 horas.  É uma trilha que exige bastante condicionamento físico e preparo psicológico para enfrentar os desafios. O trekking varia bastante entre terreno arenoso, lama, mata fechada, penhascos perigosos, raízes e troncos de árvores. Fizemos algumas paradas durante o percurso e levamos em torno de sete horas para chegar ao cume. O tempo estava lindo, lembrando que não é recomendado fazer a trilha em dias chuvosos, pois o trecho torna-se escorregadio e perigoso.

A trilha do PP começa com uma subida de solo arenoso e em meio à mata. Os primeiros quilômetros são, literalmente, de tirar o fôlego. O Morro do Getúlio – 1490 m é bastante puxado com subidas íngremes e constantes, mas com sorte o seu mirante proporciona uma vista linda para as montanhas da Serra do Mar. Continuando o caminho, começamos entrar na parte mais fechada da trilha com sombra, árvores, raízes e riachos. A impressão é que às vezes não tem um caminho de fato. Mas, a trilha toda é demarcada com fitas brancas nos troncos das árvores. Não é necessário um guia, mas estar acompanhado por alguém que já fez a trilha, é sempre uma segurança a mais.

Ao continuar o percurso, a mata vai ficando cada vez mais fechada, árvores enormes e troncos emaranhados começam a dificultar o caminho. Começamos a enfrentar os desafios nas pedras grandes e íngremes que contém ganchos e cordas para facilitar a passagem. Neste momento, o percurso começa a ficar mais cansativo devido aos troncos que fazem da trilha uma sobe e desce constante. Com iríamos acampar no cume estávamos com mochila cargueira, o que dificultou ainda mais. Durante a trilha, tem água nos riachos, sendo possível o abastecimento das garrafas.

Pois bem, após algumas horas de caminhada, já bastante cansados, nos deparamos com uma das partes mais complicadas para muitos, os grampos e as cordas em pedras na vertical, chamado elevador. Para quem não sabe, elevador no montanhismo, contém ganchos presos em rochas muito íngremes para que seja possível a subida usando mãos e pernas sincronicamente. No PP, são três trechos seguidos do outro e, abaixo, um penhasco. Em dias de chuva é muito arriscado e a visibilidade não ajuda nos movimentos que precisam ser certeiros. É uma parte bastante complicada e precisa de muito preparo físico e psicológico.

À medida que se sobe, o panorama da Serra do Mar se torna cada vez mais incrível. A 40 minutos do topo se passa pelo maior acampamento da trilha, o Abrigo 2, que também coincide com o último ponto d’água antes do cume. Os metros finais da subida seguem por uma admirável crista. Após um trepa pedra bem divertido e exaustivo se alcança um falso cume, onde também existe uma pequena área de camping. Mais alguns minutos de escalada, depois de mais de seis horas de trekking, chegamos ao ponto mais alto do Sul do Brasil. Naquele dia, fomos os primeiros a chegar, portanto, pudemos escolher os melhores lugares para colocar nossas barracas. Foi uma chegada triunfal de escorrer lágrimas. Passamos o resto do dia apreciando o visual e a magnitude de Deus. Sensação indescritível que só a montanha e seus mistérios proporcionam.

Ao entardecer, o sol iniciou seu percurso por detrás da serra, criando um panorama de cores sem igual. Ficamos deitados nas pedras admirando o visual, momento ímpar de contemplação e satisfação. Como fizemos o trekking no mês de junho, durante a madrugada o frio foi bastante dolorido, ventou muito, coloquei tudo que tinha de roupas e não adiantou, o frio foi inevitável. Mas, o maior espetáculo, o ponto alto da trip, se deu por volta das 5h30 quando o sol começou a nascer. Nunca vi nada parecido, foi o nascer do sol mais lindo que já presenciei. O céu estava completamente limpo, e fomos agraciados com muita beleza nas nuvens paranaenses. Um verdadeiro espetáculo!

O retorno à Fazenda Paraná foi bem mais rápido do que a subida. Durante o trajeto de volta, os joelhos e as panturrilhas pedem socorro, mas ao chegar na Fazenda e saborear o tradicional e delicioso pastel, já vem à cabeça a data de um possível retorno a este paraíso. Essa trip é uma aventura incrível e insana, uma experiência de trekking para vida toda e, apesar de sofrida, vicia!

Para quem quer conhecer o PP fica a dica: “leve bom humor, disposição e companhias divertidas, pois mais importante do que a chegada é a caminhada”.

Rafaella Maier
Facebook:  Rafaella Maier
Instagram: @rafaellamaier

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